Como funciona o pagamento por CPA
No modelo CPA, o afiliado recebe um valor fixo — por exemplo, R$ 200 — por cada jogador que ele indicou e que atingiu os critérios de qualificação definidos em contrato. Diferente do revenue share, em que o afiliado recebe um percentual recorrente do NGR gerado pelo jogador enquanto ele permanecer ativo, o CPA é pago uma única vez, geralmente entre 15 e 45 dias após o cadastro — prazo suficiente para o jogador cumprir os requisitos e a operação confirmar que não houve fraude ou chargeback no depósito.
Para o operador, o CPA converte um custo variável e de longo prazo em um custo fixo e previsível por jogador, o que facilita o cálculo do CAC de canal, mas transfere para o operador o risco de o jogador não gerar receita suficiente para cobrir aquele valor fixo pago antecipadamente.
O que conta como "jogador qualificado"?
A cláusula de qualificação é o ponto mais importante do contrato de CPA, porque é ela que define quando o pagamento é devido. As condições mais comuns são:
- Depósito mínimo: por exemplo, R$ 50 no primeiro depósito.
- Rollover mínimo: o valor depositado precisa ser apostado (girado) um número mínimo de vezes antes de contar como qualificado — por exemplo, 1x o valor do depósito.
- Janela de tempo: o jogador precisa cumprir os critérios acima dentro de um prazo definido após o cadastro, normalmente 30 dias.
- KYC concluído: em alguns contratos, o pagamento só é liberado após a verificação de identidade ser aprovada.
Um contrato de CPA sem esses critérios explícitos e mensuráveis é o tipo de acordo que mais gera disputa entre operador e afiliado — sem "depósito mínimo" e "rollover mínimo" definidos em número, qualquer jogador que deposite R$ 1 e nunca aposte pode, na leitura literal do contrato, ser considerado qualificado.
CPA, revenue share ou modelo híbrido
| Modelo | Como paga | Quando paga | Risco para o operador |
|---|---|---|---|
| CPA | Valor fixo por jogador qualificado | Uma vez, após cumprir critérios | Baixo por jogador, mas fixo mesmo se o jogador não gerar receita depois |
| Revenue share | Percentual do NGR gerado pelo jogador | Recorrente, enquanto o jogador estiver ativo | Nenhum custo se o jogador não gerar receita, mas custo cresce com jogadores de alto valor |
| Híbrido | CPA reduzido + percentual menor de revenue share | Parte na qualificação, parte recorrente | Equilibra os dois riscos, mas exige controle de conciliação mais complexo |
Operações com CAC de FTD baixo e alta confiança na qualidade do tráfego de um afiliado tendem a negociar CPA. Operações que preferem alinhar o pagamento à performance real do jogador ao longo do tempo optam por revenue share ou pelo modelo híbrido.
O risco de fraude de afiliado no CPA
O CPA paga por volume de jogadores qualificados, o que cria incentivo direto para fraude quando os critérios de qualificação são fracos. Os padrões mais comuns são: cadastro com dados falsos ou duplicados (multi-contas) para inflar o número de indicações; depósito mínimo feito só para cumprir a regra, seguido de saque imediato sem apostar de fato, quando o rollover mínimo não é bem verificado; e tráfego incentivado, em que o afiliado paga terceiros para se cadastrar e depositar o mínimo, sem intenção de continuar jogando.
Contratos de CPA bem estruturados mitigam esse risco com cláusula de chargeback — o operador pode reverter o pagamento se o jogador solicitar reembolso do depósito ou fizer chargeback no cartão ou PIX —, período de holdback antes do pagamento (30 a 60 dias) e verificação cruzada de KYC e fingerprint de dispositivo para identificar contas duplicadas vindas do mesmo afiliado.